Ricardo Lapeyre resgata a cozinha tradicional em seu novo restaurante no Vogue Square

Ricardo Lapeyre resgata a cozinha tradicional em seu novo restaurante no Vogue Square

Lapeyre aposta em gastronomia tradicional no novo restaurante, no recém-inaugurado Vogue Square - Analice Paron / Agência O Globo
Lapeyre aposta em gastronomia tradicional no novo restaurante, no recém-inaugurado Vogue Square – Analice Paron / Agência O Globo

Um nome conhecido, e reconhecido, na gastronomia carioca. Não por acaso, Ricardo Lapeyre, de 28 anos, abocanhou prêmios no início da carreira de chef, há quatro anos, à frente do Laguiole. O currículo é extenso, e começa relatando sua experiência ao lado do pai, Claude Lapeyre, no Hippopotamus, em Ipanema, aos 14 anos. Uma mistura de curiosidade, gosto pela culinária e vontade de aumentar a mesada levaram-no à função de ajudante de cozinha naquela época.

O carioca com cidadania francesa buscou nas raízes a inspiração para a profissão e as retoma no Bistrot Lapeyre, aberto no fim de novembro no recém-inaugurado Vogue Square, a convite de Ricardo Amaral. A opção de aliar o estilo tradicional ao contemporâneo veio do desejo de resgatar o que aprendeu.

— A proposta é de ser um francês francês. Não foram muitos os que mantiveram a essência sem ir para uma cozinha franco-brasileira. Sentia falta disso no Rio. É meu berço, minha escola — diz o chef, que recuperou também os carrinhos de terrine, sucesso na Brasserie Lapeyre, que ficava no Centro e fechou em maio. — Essa ideia é pouco explorada, mas tem tudo a ver com a cidade, porque a terrine é refrescante.

Outra aposta é a carta de queijos artesanais, concebida por André Deolindo, com peças de pequenos produtores nacionais.

Lapeyre não só tem influência da culinária francesa como fluência no idioma do pai, que chegou ao Brasil na década de 1970. Além do que aprendeu com ele, estudou na escola de hotelaria Jean Drouant e na Alain Ducasse Formation, em Paris. Trabalhou num hotel da Borgonha que tinha uma estrela no Guia Michelin. Em Bruxelas, na Bélgica, o aprendizado foi numa casa com duas estrelas. De volta ao Brasil, ele passou pelo Le Pré Catelan, de Rolland Villard, a quem não poupa elogios.

— Ele não forma só cozinheiros; forma chefs. Cria o cardápio, observa a equipe e participa da gestão. É muito bom — aponta.

Morador do Leblon, Lapeyre vai de carro até o restaurante:

— Gosto de comprar os insumos na Cobal; de escolher das frutas vermelhas à alface e ter contato com os produtores.