Privilégio de poucos

Privilégio de poucos

Localizado no Vogue Square, Le Club atrai empresários, políticos e personalidades

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RIO — Até a meia-noite, a música lounge embala um jantar tão sofisticado quanto o ambiente, no qual só é permitida a entrada de sócios e de seus convidados. Depois desse horário, a luz muda, o volume aumenta e canções pop ecoam das caixas de som. Não há propriamente uma pista de dança. Cada um acompanha as batidas onde acha melhor: ao lado das mesas, entre as pilastras espelhadas, na área externa. É aí que o Le Club, empreendimento recém-inaugurado no complexo Vogue Square, sob a curadoria de Ricardo Amaral, revela a outra face de sua vocação: é um dining club, à semelhança dos existentes em outras metrópoles mundo afora. A equipe do GLOBO-Barra visitou o local em 17 de fevereiro, uma sexta-feira, um dos dias de maior movimento na casa, e o rei da noite carioca estava lá, como de hábito, atento ao comportamento do público.

Não basta ter vontade de conhecer o Le Club. É preciso preencher uma ficha de adesão e aguardar que seu perfil seja analisado por um comitê para ter direito a pleitear a carteira de sócio. Se a indicação vem de um cliente, a peneira é dispensada. Nome aprovado, o passo seguinte é pagar uma taxa anual de R$ 5 mil, valor que pode ser parcelado em até dez vezes no cartão — facilidade pouco solicitada pela clientela, formada, em sua maioria, até agora, por homens entre 35 e 45 anos, com alto poder aquisitivo. Muitos deles são empresários, políticos e celebridades. Cada um pode levar até três convidados por noite.

— Pode ser caro, mas meia Barra tem grana para frequentar esse lugar — diz o empresário Valdir Guedes, de 65 anos, um dos clientes da casa. — Se você paga e frequenta, não é pesado, torna-se razoável. Fico feliz por ver a Barra evoluindo na direção das coisas boas do mundo. Vi um espaço com a mesma proposta em uma viagem para Nova York.

Pela primeira vez no Le Club para comemorar o aniversário de um amigo, a publicitária Rebeca Lavouras, de 24 anos, aprovou o espaço e o conceito, mas ficou surpresa com a faixa etária dos frequentadores.

— O lugar é ótimo, mas pensei que fosse mais parecido com o Bagatelle — diz, referindo-se ao misto de bistrô e boate instalado no Jockey Club, na Gávea. — O pessoal aqui é bem mais velho, nós ficamos um pouco deslocados.

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Inaugurado no fim do ano passado, o Le Club funciona de quinta a domingo. Das 21h à meia-noite, é um restaurante cujo menu oferece opções como peixes, pato, risotos e prime rib, além de uma extensa carta de drinques, vinhos e espumantes. Daí para a frente, o ambiente vai ficando mais parecido com o de uma boate, e a casa enche.

Embora não haja um único local para dançar, uma passarela iluminada por feixes de luzes coloridos vira a sensação com o passar da noite. À medida que as horas — e os drinques — se sucedem, a inibição vai sendo deixada de lado, ao som de sucessos atuais como “I feel it coming”, de The Weekend e Daft Punk; e “We found love”, de Rihanna. Por volta das 2h, o clima de confraternização é geral, e os garçons não hesitam em subir à passarela e dançar com o público, a esta altura já soltinho, soltinho. Além de DJ, o Le Club traz apresentações ao vivo de saxofone e de piano rock, dependendo da noite. Quem quer mais privacidade se acomoda num dos quatro camarotes dotados de cortinas.

A tarefa de selecionar os clientes do Le Club cabe à diretora do estabelecimento, Candice Marocco. Aos poucos, o perfil dos frequentadores se desenha: a grande quantidade de empresários associados, segundo ela, vem fazendo com que se forme uma rede de relacionamentos que vai muito além das noitadas no dining club.

— Os sócios acabam se conhecendo, já que o público que frequenta o Le Club é selecionado e restrito. Em outros lugares, as pessoas veem namoros e casamentos saírem; aqui, é muito comum vermos empresários fecharem novos negócios — comenta Candice.

Algumas destas conversas começam diante do bar de 15 metros de extensão, um dos destaques da casa, que serve drinques originais, concebidos por Jéssica Sanchez.

— Nosso bar não reproduz os drinques conhecidos e servidos em outros lugares. Criamos cerca de 15 bebidas especificamente para o Le Club, levando em consideração a faixa etária e o nível social do público e a geografia do Rio. Elas devem sempre conversar com as opções do cardápio, para que a pessoa possa comer e beber ao mesmo tempo, sem que a comida influencie negativamente a bebida e vice-versa — explica a mixologista.

Morador da Barra, o engenheiro José Cândido Pessoa acredita que a culinária é o diferencial do Le Club:

— O restaurante é espetacular; a comida é realmente muito boa; e o preço cobrado pelos pratos, justo. Desde o primeiro dia em que coloquei os pés aqui observei que o atendimento de todo o clube é excelente. A equipe está muito bem preparada.

No comando da cozinha está a badalada chef Heaven Delhaye. Com dupla nacionalidade (francesa e brasileira), a jovem, de 32 anos, foi convidada para assumir a gastronomia do Le Club pelo próprio Ricardo Amaral, e optou por privilegiar a culinária contemporânea. Entre os destaques, a posta de bacalhau com chorizo assado sobre purê de feijão-branco e o risoto de queijo brie e champignons com crocante de alho-poró.

— É a minha visão do que é moderno. Ao criar o cardápio, tive a liberdade de pegar influências do mundo inteiro. Abrimos com o menu reduzido para conseguir pegar o ritmo e fazer tudo bem feito. Aos poucos, estamos aumentando as opções — conta.

A partir da meia-noite, a cozinha passa a preparar apenas as opções do chamado menu da madrugada. Até as 4h, quando o Le Club fecha as portas, são servidos petiscos como coxinhas de pato, mini-hambúrgueres, sanduíches de rosbife e ceviches de salmão e peixe branco.

Responsável pela curadoria de todo o polo gastronômico do Vogue Square, Ricardo Amaral não para de fazer planos para o Le Club: diz que em breve a área externa vai ganhar uma charutaria, medida que agradará aos grupos que costumam fumar na área externa.

— Isso aqui é um achado. O jardim ficou ótimo. Sem contar que a casa tem um predicado muito interessante, que é a possibilidade de jantar e dançar no mesmo ambiente — orgulha-se.

POR RODRIGO BERTHONE

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